5 anos em 5 lições

 Em ano novo, autoconhecimento, bastidores atelier, carreira, cultura de empresa, cultura empresarial, cultura organizacional, empreendedorismo, inovação, jornalismo

A data de nascimento do Atelier de Conteúdo, no contrato social, é o dia de hoje – 25 de novembro – cinco anos atrás, 2015. Isso significa que chegamos mais longe do que a maioria das novas empresas no Brasil – seis em cada dez CNPJs abertos em 2012 não resistiram até de 2018. Entre 2014 e 2018, o Brasil fechou mais empresas do que abriu. Sem contar que a pandemia afetou fortemente inúmeras companhias, muitas de maneira fatal. De cada dez empresas fechadas no país, temporária ou definitivamente, de janeiro até a primeira quinzena de junho, quatro foram afetadas pela crise decorrente do novo coronavírus.

Esse marco é especial porque depende mais de variáveis do que as que estão ao nosso alcance. Para uma coisa dar certo, a entrega, a dedicação, o esforço e o trabalho intensos são fundamentais, claro. Mas não garantem nada. Quanta gente boa trabalha arduamente sem ter sucesso? Ou quanto empreendedor dedicado e competente teve de fechar as portas nos últimos meses? Conquistar objetivos passa por janelas de oportunidade, por timing, por sorte, pelo desejo de outras pessoas, por decisões em outros setores que respingam no seu, pelo imponderável.

Aproveito o momento auspicioso para celebrar o fato de termos chegado até aqui com alegria e saúde financeira. E faço um balanço: quais foram as cinco principais decisões que – da parte que nos coube – nos ajudaram a completar este primeiro ciclo?

  1. Em vez de plano de negócio e apresentação institucional, começamos pelo trabalho em si, vendendo e executando antes de planejar ou embalar. “É loucura começar assim”, alguns disseram. Mas loucura mesmo me parecia gastar tempo planejando quando a realidade estava logo ali, ao alcance das nossas mãos. Escolhi começar pelo básico (entrevistar e escrever), pois já sabíamos fazer e havia interessados. No meio do caminho, rascunhamos algumas metas financeiras, alguns potenciais novos negócios e até uma apresentação institucional. Mas na prática sempre me senti mais confortável contando quem somos nós, as pessoas do Atelier, de improviso. Criando planilhas e métricas para entender os números já existentes em caixa e, a partir daí, projetar o futuro com os pés no chão. Desde meados do primeiro semestre, temos uma pessoa empreendendo nossa área administrativa, porque agora temos uma base sólida e muitos ingredientes para transformar em bolos. Outro dia me pediram uma apresentação institucional, e concluí que talvez tenha chegado o momento de o Atelier, prestes a completar 5 anos, ter slides bonitões para contar o que, agora, já são histórias. Mas não me arrependo de ter primeiro experimentado.
  2. Nosso método inicial para prospectar era dizer “sim” a (praticamente) toda oportunidade de trabalho. Hoje, temos serviços e produtos claros para oferecer. Mas nem sempre foi assim – e talvez essa tenha sido uma vantagem. Não havia um portfólio no começo. Respondíamos a demandas que se encaixassem nas palavras “conteúdo” e “comunicação”. Com o passar dos anos, o portfólio começou a existir na prática. E o nosso tempo se tornava cada vez mais valioso. Aí os “sins” passaram a vir acompanhados das condições necessárias para o trabalho ser entregue no padrão Atelier – com excelência e alegria. Avaliando os resultados, decodificamos nosso método, entendemos o tipo de trabalho que fazia ou não sentido desenvolver, fomos descobrindo e ocupando nosso espaço.
  3. Comportamo-nos como uma grande empresa desde o dia 1. Tendo a coragem de cobrar o que acreditamos que o trabalho vale, fazendo contratos, pagando impostos, contratando advogados e contadores de altíssimo nível, projetando melhores e piores cenários com lucidez. Fizemos assim porque gostamos de agir da maneira certa e porque somos ambiciosas. Queremos o mais alto padrão de excelência para sustentar o Atelier. Descobrimos ser bem mais leve crescer de maneira estruturada e pensar nos problemas antes de eles acontecerem.
  4. Aprendemos a delegar para cima. Desde quando era uma lista de possiblidades no “Notes” do iPhone, o Atelier é conduzido a partir de conselhos de gente muito, mas muito experiente, inteligente, vivida – e generosa. Uma sorte impagável. Na parte prática, o modelo criado para crescer sem perder a qualidade foi encontrando colaboradores tão ou mais experientes do que nós, constituindo uma rede sênior que se ajuda, une forças e nos libera de escolher entre profundidade e amplitude. Queremos tudo.
  5. Dedicamo-nos a formar a nova geração. Enquanto os parceiros são seniores, nossa turma é jovem. Alguns entraram no primeiro ano da faculdade e por aqui ficaram. Aprendemos com grandes companhias formadoras de talento que o tempo investido na formação dos jovens sempre vale a pena. Boa parte do meu dia é contribuir para o desenvolvimento dos estagiários e jornalistas recém-formados. É gratificante vê-los crescer, ganhar segurança, autonomia, experiência e, ao mesmo tempo, ser contagiada pelo frescor, pelo anseio e pela curiosidade diante de um universo a ser desbravado. Com eles construímos o futuro no presente.

Apesar de já termos tantas vitórias a celebrar, são só cinco anos. Os primeiros. Pelos próximos cinco, estamos dispostas a ser exceção em outra estatística: a de que apenas quatro em cada dez empresas sobrevivem por mais de dez anos.

Agarradas ao que aprendemos até aqui, nos aventuramos nos desafios que o crescimento nos reserva. E seguimos convictas: pretendemos construir algo tão precioso que não cabe em um plano de negócio.

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