A loucura de ser estagiária

 Em autoconhecimento, bastidores atelier, carreira, jornalismo, mudanças

Sempre fui completamente apaixonada pela faculdade. Amo o ambiente, a interação das pessoas, a relação com os professores, as curiosidades sobre assuntos específicos e, principalmente, amo o fato de ser um espaço que engloba tanta diversidade, seja de ideias, seja de interesses ou estilos.

Diferente da escola, em que geralmente todos têm a mesma idade e uma situação financeira semelhante, a faculdade te apresenta um universo totalmente diferente da bolha particular em que você viveu até ali. Descobrir isso foi mágico.

Quando ingressei no curso de Nutrição, tive esse primeiro choque de realidade. A menina de 17 anos, classe média da zona sul, fez amigas com o dobro da sua idade, que moravam nos bairros mais nobres de São Paulo e eram donas das casas de show que frequentava. Nada me encantava mais do que essa fusão de mundos, ideologias, vivências e aprendizados.

Saí da Nutrição e migrei para o Jornalismo com o mesmo entusiasmo. Acho que por isso a faculdade, seja ela qual for, sempre foi a minha prioridade. Estudar era e continua sendo o que sei fazer de melhor e foi minha única atividade até entrar para o Atelier, meu primeiro estágio. Então, novamente, outro universo se abriu. Novas pessoas, novas demandas, novas histórias para conhecer e principalmente novos desafios.

Nunca neguei o pânico que me causou a ideia da falta de tempo para me dedicar aos estudos. Ter de dividir as horas entre várias funções me roubou umas noites de sono no começo, confesso. De repente, as demandas foram surgindo, a faculdade me exigia mais a cada semestre e o pensamento nas tarefas do trabalho começou a romper as barreiras do horário comercial.

Sim, entrei em desespero por algumas vezes até entender que precisaria sentar e organizar toda a minha rotina nos mínimos detalhes. Com a adaptação, veio também o amadurecimento. Comecei a perceber e aprender que o dia não tem 24 horas à toa, e dá tempo de fazer tudo, é só uma questão de calma e organização. Essa maturidade me fez ver que surtar com o medo dos prazos só te faz perder o pouco tempo que tem. Quando precisei assumir as funções de uma das colaboradoras que deixou o Atelier uns meses atrás, por exemplo, achei que jamais daria conta, mas com o planejamento a divisão de horas ficou tão certa que até sobrou tempo. Essa é a maior prova que, no final do dia, do trabalho ou do semestre, tudo se encaixa na rotina.

No meio dessa loucura divertida, a parte mais legal é colocar em prática aquilo que antes só via em sala de aula. Como é meu primeiro estágio, cada entrevista e texto que faço e consigo relacionar com os estudos, me anima.

A faculdade segue como prioridade por aqui, até porque, como estagiária, o trabalho não existe sem os estudos. E, felizmente, tenho no Atelier pessoas que acompanham de perto a divisão de tempo e colaboram para o balanço das duas áreas que ora se unificam, ora me dividem.

Todas as pessoas para quem eu conto sobre o cansaço ou desespero com as tarefas nessa fase da vida me falam o quanto sentirei falta. Falta da faculdade, da correria e até da escassez de tempo. E eu? Eu acredito, afinal, é no mínimo divertida e agitada essa vida de estagiária!

Recommended Posts
Comentários
  • Maria Caroline
    Responder

    Muito bom!

Deixe seu comentário