O poder da atitude empreendedora

 Em autoconhecimento, carreira, cultura de empresa, mudanças

Quando a Ariane e a Marcela falavam sobre atitude empreendedora, eu entendia ao pé da letra. Eu achava que precisava desenvolver habilidades para administrar uma empresa ou ser capaz de abrir um negócio próprio. Mas não é sobre isso. Aliás, todos esses fatores são consequências de uma mentalidade inquieta, que a todo momento está buscando oportunidades fora da caixa, seja na vida pessoal ou na profissional, seja você dono, autônomo ou funcionário. Atitude empreendedora é imprescindível para ter uma vida próspera.

O projeto no qual estou trabalhando atualmente me dá liberdade para planejar, ir atrás do que preciso, testar novas formas de escrever, sugerir ideias e opinar. A contrapartida dessa autonomia é uma carga maior de responsabilidade. Eu sei que boa parte da entrega está nas minhas mãos. A pressão é maior, mas para mim, é libertador. Libertador, porque me entrego aos desafios com mais coragem e aprendo a lidar melhor com os meus medos, inseguranças e erros. O escritor italiano Guillaume Apollinaire (1880 – 1918) certa vez escreveu: “Nós os conduzimos até a borda e pedimos que voassem. Eles não arredaram pé. Voem, dissemos. Eles não se mexeram. Nós os empurramos para o abismo. E eles voaram.”

No mês passado, viajei para o Rio de Janeiro a trabalho. Nunca tinha viajado de avião sozinha e não conhecia a cidade. Encontrei a Ariane apenas nos primeiros dias, mas depois cada uma foi para os seus compromissos. Claro que ela sempre procura me instruir e me ajudar nos momentos de tensão. Mas aquilo era algo novo para mim, era uma autonomia que nunca ninguém havia me dado nos lugares onde já trabalhei. Foram quatro dias que me fizeram chegar à conclusão de que, sim, eu sou capaz. Não preciso ter medo de estar sozinha em um lugar desconhecido, afinal, eu sei me virar. Eu confio em mim.

É tão óbvio, mas, ao mesmo tempo, tão difícil entender que para fazer acontecer basta tomar alguma atitude. Em vez disso, preferimos nos acomodar ao que já temos, pois é mais confortável estar parado do que andando. Ou passamos a vida toda nos escondendo e nos esquivando. Por isso, nada sucede. Somos instruídos a sempre nos vitimizar e a culpar Deus e o mundo pelo o que nos acontece. Mas a questão é: o que você faz com o que acontece com você?

Nas entrevistas que faço ouço muitas histórias de superação. Uma delas me marcou especialmente. Depois de me contar toda a sua vida (que tinha tudo para dar errado), a entrevistada olhou para mim, bateu no peito e disse: “Eu me tornei a senhora do meu próprio destino”. Ter atitude é se responsabilizar. E saber que somos responsáveis é saber que temos um poder enorme em nossas mãos de mudar, acertar, errar e consertar. Assim como não preciso ser dono para pensar como um, não preciso ter o mundo em minhas mãos para ser protagonista da minha própria vida. Ser figurante ou personagem principal é uma escolha.

Certa vez, li um livro infantil chamado O Casaco de Pupa, da escritora espanhola Elena Ferrándiz, que conta a história de uma menina que, toda manhã, vestia um casaco antes de sair de casa. Ao longo do caminho, ela vai recolhendo medos e inseguranças. O casaco cresce como um casulo, e ela se curva cada vez mais, até se fechar no seu próprio mundo. Um dia, ela decide se encher de coragem e, finalmente, consegue voar. Isso me lembrou o processo seletivo do Atelier, em que precisávamos desenhar algo para nos representar. Inocentemente, fiz metade de uma borboleta saindo do casulo. Mal sabia eu que, meses mais tarde, conseguiria me libertar desse casaco de Pupa.

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