Quando chega a hora de sair do ninho

 Em autoconhecimento, bastidores atelier, carreira, entrevista, jornalismo

Lembro-me que logo que comecei a cursar jornalismo, só de pensar em entrevistar alguém, já sentia o nervosismo. Imaginar estar frente a frente a uma pessoa desconhecida, perguntando sobre a vida pessoal dela, me causava desespero. 

E se minha pergunta for clichê? E se a pessoa falar muito? E se falar pouco? E se eu gaguejar? E se não render? Eram tantos “e se” que me perdia nos meus pensamentos. 

No primeiro trabalho acadêmico para o qual tive de entrevistar alguém, me preparei bastante, mas o nervosismo estava ali. Ensaiava a pergunta, falava olhando para o espelho, enviava áudio a alguns amigos para treinar… até que finalmente chegou o dia. Na hora e no local marcado, meu nervosismo estava bem grande. Mas quando me dei conta, me sentia amiga do entrevistado que acabara de conhecer. Mais de trinta minutos haviam passado sem eu sentir. 

Porém, o frio na barriga voltaria em outro contexto. Desde quando entrei no Atelier, fui incentivada a entrevistar pessoas, a ir a eventos, a esticar assuntos para conversas rápidas se transformarem em longas – e isso, pra mim, é o máximo. 

Mas sempre tinha uma mãozinha de apoio. Sentia-me segura por saber que, qualquer problema, era só pedir uma ajuda para alguém que estivesse comigo e receberia o suporte necessário. Até que chegou o dia em que isso não seria exatamente assim.

Surgiu um evento de um cliente no qual eu teria de entrevistar pessoas importantes, que ocupam altas posições em suas organizações –  sem a presença de uma editora comigo.

O nervosismo bateu como nos velhos tempos. Senti aquela pontinha de medo de sair alguma coisa fora dos trilhos, mas automaticamente retomei o controle e vi que era o momento de deixar o ninho. Associei a sensação à de quando uma criança tira as rodinhas de apoio da bicicleta e anda sozinha pela primeira vez. Imagino que seja tão emocionante quanto o que despertou em mim. Mas só imagino, porque não sei andar de bicicleta (ainda). 

O resultado saiu melhor do que eu poderia esperar. Me preparei e fui. Na primeira entrevista, levei comigo a colinha de perguntas, para caso eu esquecesse de algum detalhe. Mas o dia foi passando. Veio a segunda entrevista. Depois a terceira, a quarta… e, quando vi, os dois dias de evento se encerravam e meu trabalho estava feito. Bem-feito

Voltando para casa, o cansaço de ter trabalhado durante um fim de semana inteiro era notório. As olheiras aparentes, a dor nos pés me lembravam dos degraus que foram meus companheiros durante aquelas horas, mas maior do que qualquer desgaste físico era a sensação de dever cumprido. 

Assim é a cada nova etapa em minha carreira. Acredito que essas experiências que nos pegam desprevenidas são realmente a prova de fogo que todos precisamos passar para sermos lapidados. Existe um momento que a mamãe pássaro tem de empurrar e jogar para fora aquele filhote que já se tornou um pássaro bem cuidado e forte. 

Aqui estou, aprendendo a alçar voos e planando no ar aos poucos para que, daqui um tempo, consiga fazer isso sem ter medo ou receio de cair. Porque sei que tenho um porto seguro com que posso sempre contar e que não me deixará na mão.

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