“Você nunca vai se sentir preparada”

 Em autoconhecimento, bastidores atelier, carreira

Toda vez que vou escrever um texto para o blog do Atelier eu fico ansiosa. Por exemplo, agora, diante da imensidão de ideias que estão passando pela minha cabeça, penso que não vou conseguir finalizar esse texto ou que não vai ficar bom. Aliás, sempre acho que não vou conseguir nem sequer começar. Mas, veja bem, eu já estou escrevendo – inclusive, já terminei um parágrafo.

Vendo assim, parece simples. E é simples. Mas, durante muito tempo, esse problema me impediu de realizar muitas tarefas e ir atrás do que eu queria, pois sempre me julguei despreparada para tudo, então me contentava com o mínimo – até menos do que, de fato, merecia. Há uma linha tênue que separa a modéstia da autossabotagem. E só agora isso ficou claro para mim.

A nossa mente é capaz de pensar absurdos, e ela sempre vai triplicar a intensidade dos acontecimentos futuros. É como se você estivesse na fila de uma montanha-russa. Você está com frio na barriga, morrendo de medo e pensando em possíveis tragédias que podem acontecer. Então você vai, fecha os olhos, ergue os braços, grita e tudo não passa de dois minutos. Depois você quer ir de novo, pois não foi tão ruim assim. Pelo contrário. Com a vida é a mesma coisa.

Recentemente, recebi um desafio de escrever capítulos de um livro – um dos projetos do Atelier. Até então, estava apenas acompanhando a Marcela e a Ariane nas entrevistas e reuniões, transcrevendo áudios, lendo livros de referência, fazendo resumos etc. Quando me deram essa tarefa, embora os meus textos fossem passar pela revisão, na hora, pensei: “Como elas tiveram coragem de me dar essa responsabilidade? Não sou tão experiente e a chance de ficar ruim é muito grande”.

Escrevi os textos e mandei com certo nervosismo – novamente, pensando no pior e no trabalho que elas teriam para editá-los ou até mesmo começar do zero. Conclusão: recebi elogios e um parabéns. O mais incrível é que elas estavam confiando em mim mais do que eu mesma. Às vezes, parece que elas têm um olhar biônico que as faz enxergar tudo o que temos de melhor. São esses desafios que nos fazem reconhecer o potencial que nem imaginamos que temos. Hoje posso dizer que, sim, tenho capacidade para escrever capítulos de um livro.

Nas últimas semanas tudo conspirou para que eu chegasse a essas conclusões. Fui ao psicólogo e saí com uma questão: eu cheguei até aqui pela minha capacidade ou pela minha ansiedade? De fato, em alguns momentos, me forcei a arriscar. Por mais que tenha havido muitos fracassos, eu também obtive conquistas que, se não tivesse dado o primeiro passo, nunca as teria alcançado. E a ansiedade era apenas um parasita que sugava minhas energias.

Também, nesses tempos, eu comecei a escrever textos para um projeto do Atelier sobre jovens visionários. Parecia que as histórias se repetiam: eles não tiveram sucesso porque estavam preparados para abrir uma empresa ou porque acertaram desde o início. Foi, simplesmente, porque começaram. Como disse Olivia Remes, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública e Cuidados Primários da Universidade de Cambridge, “Faça de qualquer jeito e vá melhorando ao longo do percurso”. O fazer de qualquer jeito não é fazer sem capricho, mas fazer sem esperar pela perfeição. E ela ainda completa: “Se você começar a usar esse lema hoje, o que mudaria na sua vida?”.

“Nós nunca nos sentimos preparados”, disse a Ariane uma vez. Você não vai estar preparado até fazer. O mundo é de quem se prepara e não de quem espera estar preparado. Se formos esperar, não sairemos nunca do mesmo lugar. Relendo tudo o que eu escrevi até agora, até que não ficou tão ruim assim. Terminei, porque comecei. E gostei. Se esse texto agora existe é porque uma hora me arrisquei a escrevê-lo.

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