Uma reflexão no Vale do Silício

 Em bastidores atelier, carreira, jornalismo

Escrevo este texto diretamente de Palo Alto. Estou no meio do Vale do Silício, o epicentro do movimento empreendedor, o estábulo dos unicórnios, o lugar cujo PIB ultrapassa o do Brasil inteiro.

Eu já havia estado em São Francisco, também a trabalho, mas com uma visão muito diferente da que tenho hoje. Desta vez, os dias por aqui têm sido muito ricos porque, pela primeira vez, a cada conversa, sinto fortalecer a ponte que existe entre as duas profissionais que me tornei: a jornalista e a empreendedora.

Estamos aqui conversando com brasileiros e alguns americanos que construíram carreiras e empresas destacando-se em sua trajetória. Na hora das entrevistas, passamos (eu e Ariane) a maior parte do tempo como jornalistas. Estamos concentradas em nossa pauta, nas perguntas, na história que está sendo contada. Porém, cada vez menos consigo me conter para fazer intervenções quando nossos entrevistados começam a falar sobre sua veia empreendedora e o problema que estão se dedicando a resolver. Agora, eu não apenas compreendo racionalmente o que eles querem dizer. Eu sinto na pele. Sei exatamente do que estão falando.

“As startups não conseguem crédito porque não possuem histórico de receita ou dinheiro no banco”, disse uma das pessoas com quem conversamos. “Entendem?” Sim!, respondi. Demorou três anos para que o Atelier de Conteúdo conseguisse um cartão de crédito. É óbvio que eu entendo. A Marcela de cinco anos atrás, repórter de revista, também entenderia essa afirmação, mas não com a mesma profundidade. “É difícil manter a energia, acordar todo dia motivado para fazer esse negócio crescer, sabe?” Sim, eu sei. Do fundo do coração, eu sei exatamente do que você está falando. Eu vou sair dessa entrevista, sentar em um Starbucks, responder e-mails, assinar contratos, checar o cronograma dos projetos, entrevistar mais uma pessoa e resolver um dilema de gestão de equipe. Se eu não mantiver a energia, como manter isso aqui de pé?

Conversando com essas pessoas que já construíram empresas e carreiras incríveis, além de conseguir histórias ótimas para nosso trabalho jornalístico, vamos reforçando algumas crenças como empreendedoras e aprendendo algumas lições. Estamos longe de ter o sucesso que essa galera alcançou, mas ficamos inspiradas para ir mais longe. Ao mesmo tempo, nos tornamos entrevistadoras ainda melhores, porque não entendemos o que estão falando só na teoria. Vivemos o que eles estão dizendo na prática, o que nos ajuda a interpretar e traduzir para o mundo suas histórias e aprendizados.

 

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