O que aprendo com os meus erros

 Em diversos

Lembro-me de um desenho animado que via quando era criança, O Caminho para El Dorado, em que um dos protagonistas dizia a frase: “errar é humano”. A premissa não é novidade, mas o que entendo dela é que todos nós iremos errar, não só uma vez, como várias, durante toda a vida. Alguns erros pequenos, que resolvemos rápido, e outros gigantescos, sobre os quais pensamos durante dias. Mas o trabalho me fez perceber as falhas de uma forma diferente. Se na escola, ou até mesmo em algumas disciplinas da faculdade, o erro parecia algo para ser esquecido, hoje o entendo como uma oportunidade de aprendizado – tanto sobre as tarefas práticas quanto sobre eu mesma. 

Depois de quase quatro anos trabalhando, começo a perceber que a grande maioria das minhas falhas acontecem por causa da pressa. Nosso dia a dia no Atelier é cheio de tarefas, dos mais diferentes clientes e projetos que temos por aqui. Por isso, a organização é essencial para dar conta de tudo. Mas quando os prazos estão apertados, e há muitas urgências a serem resolvidas, o meu instinto é acelerar o ritmo – o que nem sempre significa que consigo manter o foco. Fico descuidada com os detalhes que, somados, se tornam grandes problemas. 

Por causa da ansiedade em fazer tudo ao meu alcance, tenho dificuldade em priorizar as tarefas. Em alguns casos, trabalho em uma missão menos urgente, que poderia ser feita mais tarde, já que outras demandam mais tempo ou precisam ser feitas mais rapidamente. Quando isso acontece, preciso correr para acabar tudo no prazo, e a pressa somada à pressa só resulta em mais estresse e, consequentemente, em erros. Há dias em que fico paralisada pela quantidade de coisas que preciso resolver. Fico pulando de janela em janela na tela do computador, resolvendo poucas coisas em muito tempo – em vez de muitas e rapidamente. 

Nas últimas semanas, cometi vários erros, alguns leves e outros graves. Essas situações aconteceram algumas vezes, e a frequência, por mais dolorosa que fosse, me ajudou a notar esses padrões de comportamento. Antes de começar a escrever este texto, por exemplo, percebi que estava caindo na mesma armadilha. Não conseguia priorizar. Com os aprendizados anteriores, vi que a tarefa que levaria mais tempo para ser concluída, mas que tinha um prazo mais longo, poderia ser feita no final do dia. Assim, conseguiria resolver as prioridades mais cedo.

Outras lições que tive ao longo desse tempo foi sempre manter a delicadeza com os clientes e entrevistados – aprendi isso certa vez em que a empatia falhou -, e a sempre manter minha agenda atualizada – sim, já me esqueci de um compromisso. Todas essas situações também me lembraram que a minha memória é péssima, e, depois de alguns episódios de esquecimento, decidi sempre anotar dúvidas e tarefas, o que me ajuda a trabalhar ainda melhor e mais tranquila. No final das contas, o erro me ensina a não cometê-lo novamente. 

Não me lembro de um começo de ano tão desafiador como este. Estou participando de projetos com clientes novos, maiores e mais complexos. Hoje, com essas percepções sobre mim mesma, tento navegar no trabalho mais suavemente, sem a pressa combinada com a falta de direcionamento, mas também sem ficar estática. Entendo que preciso ser rápida, produtiva, mas sem deixar informações passarem por mim. Ao mesmo tempo, procuro não sofrer tanto com os meus erros. Não posso aceitá-los, mas posso aprender com eles. 

Lembrei-me de Neil Gaiman, autor norte-americano, que em sua carta de Ano Novo de 2011 aos seus leitores, fez um simples desejo: “Que você cometa erros”.

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