Empreendendo de novo, cinco anos depois

 Em empreendedorismo, inovação

O Atelier completou cinco anos na mesma semana em que colocou no mundo o primeiro resultado de seu novo projeto: um selo editorial. Isso significa que agora, além de ajudar a organizar e escrever livros, podemos publicá-los.

A coincidência de datas não foi planejada. O nosso MVP (sigla em inglês para produto viável mínimo) começou a ser produzido em julho, em meio à pandemia, e levou quatro meses para, neste caso, ir para o papel.

A ideia de lançar um selo do Atelier não é nova. Em alguns momentos nesses primeiros anos de empresa nos perguntávamos, “e se a gente também editasse livros?”. Mas inicialmente soava como um desvio de rota. Com tantas editoras boas por aí, para que criar mais uma? Preferimos nos concentrar no nosso negócio principal, a produção do conteúdo.

Mas nem sempre os autores com quem trabalhamos, por mais gabaritados que sejam, encontram uma editora para publicar seus livros no tempo que gostariam. Muitas vezes pelo simples motivo de as grandes editoras terem a publicação como negócio principal e precisarem fazer apostas altas. Um autor desconhecido, um tema que não esteja sendo debatido pelo grande público ou simplesmente um calendário de publicação já completo para o ano podem inviabilizar uma ideia nova.

Entendemos, então, que talvez houvesse um espaço a ser ocupado neste mundo em transformação. O “e se” começou a fazer sentido. “E se a gente publicasse livros de nicho com conteúdos primorosos e, claro, potencial para se tornar best-sellers pelo caminho?”. O novo braço se revelou uma evolução natural, sabendo que contar histórias continuaria sendo nosso negócio principal.

Enquanto ao Atelier eu cheguei alguns meses depois de o CNPJ ter sido criado e me tornei sócia no segundo ano de empresa, este projeto eu concebi junto, do zero. E coube a mim descobrir como fazê-lo virar realidade.

Isso significa que, nos últimos meses, além de todas as atividades de uma empresa em acelerada expansão, empreendi um novo negócio, com a Isabella, nossa especialista na área administrativa e financeira. O papel da Ariane, neste caso, foi muito mais estratégico, nos orientando em todas as etapas do processo, principalmente quando surgiam dúvidas ou obstáculos que exigiam mais cabeças pensando juntas.

A experiência me fez renovar meus votos com a aventura que escolhi como caminho de vida cinco anos atrás. Empreender é o melhor jeito de lembrar de algumas verdades que já sabemos verdades, mas só a prática nos mostra exatamente o que significam – e como podem ser libertadoras. Por exemplo:

1. Errar é a única certeza do processo. Então é melhor se acostumar com o erro, ou seus dias passarão a ser uma sucessão de frustrações. “Empreender é isso”, a Ariane me lembrava cada vez que o ajuste de rota virava sofrimento ou tensão. Dia a dia foi ficando mais fácil não me surpreender com a descoberta de burradas cometidas ou pontos cegos. Sim, elas fazem parte do jogo e estão por toda a parte. Por mais que tenhamos feito a lição de casa, estudado o mercado, firmado parcerias especializadas, pedido ajuda a quem está na área há mais tempo, existem situações que só se conhece e aprende a lidar quando se vive.

2. É preciso encontrar o ponto ótimo entre trabalhar em equipe e assumir a responsabilidade. Em alguns momentos pegava-me receosa de decidir sozinha sobre algo que estava mais capacitada do que qualquer um pelo mergulho no novo tema. Mas e se desse errado? Era essa a pergunta por trás de tantas outras que eu me via fazendo para as pessoas ao meu redor. Foi preciso lembrar a todo momento que nosso compromisso não era com o acerto, mas sim com o fazer. Por outro lado, se decidisse tudo sozinha, sem ao menos falar em voz alta para mitigar erros possíveis, como acabei fazendo em outros momentos, o efeito era o de virar as costas para o time: minha sócia, a Isabella, os autores. Com a prática (e os tombos) vai ficando mais claro como ocupar seu papel sem que isso signifique fazer sozinha.

3. Prazos são prazos – desde que não comprometam as relações e a qualidade. Tive de me lembrar diariamente de que, apesar de todos os prazos que estabelecemos para dar vida ao selo – e das pressões decorrentes deles – publicar um livro não pode se tornar uma sucessão de tarefas a serem cumpridas e passar para a próxima etapa. Como tudo o que fazemos no Atelier é um misto entre o nosso sonho e o dos nossos clientes e parceiros. É a exposição de algo precioso de alguém, muitas vezes pela primeira vez, em grande escala. Mais importante do que não atrasar nem um dia o cronograma é ter empatia, respeito e carinho pelos protagonistas e leitores.

Foi um momento especial quando recebi na minha casa o exemplar impresso de Transformação Digital – Uma jornada que vai muito além da tecnologia. Os autores, Antonio Salvador e Daniel Castello, confiaram em nós para cuidar desse projeto e encararam conosco os desafios de fazer algo pela primeira vez. Por mais que empreender seja curtir o caminho, ver o resultado também é um prazer enorme. E vamos em frente, porque este é só o começo.

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