O prazer em fazer jornalismo

 Em jornalismo

Há alguns meses, voltei à faculdade para buscar meu diploma e encontrei meu professor de jornalismo econômico nos corredores da Pontifícia. Contei a ele sobre o Atelier de Conteúdo, que eu havia sido efetivada e que, no último ano, havia trabalhado na pesquisa da biografia da Ambev, De Um Gole Só, escrita pela Ariane. Ao ouvir isso, sorriu e perguntou: “é jornalismo econômico, não é?”. Sorri de volta quando me recordei de uma de nossas conversas dois anos antes. Acontece que estou trabalhando numa área na qual, durante os primeiros anos da faculdade, nunca tinha imaginado que estaria atuando. 

Mesmo antes de prestar o vestibular, pensava que um dia trabalharia na área de política, cultura ou cidades. Como havia comentado com esse professor, economia e negócios eram os temas mais distantes de mim, uma vez que pouco entendia sobre os conceitos e, sendo sincera, considerava-os um tanto chatos. Talvez ele nem lembre desse nosso bate-papo, mas ainda tenho as lembranças de suas aulas. 

Os projetos do Atelier me ensinaram e continuam ensinando sobre temas como negócios, empreendedorismo e economia, além de muitos outros. Para minha surpresa, passei a gostar de trabalhar com a área. Mais do que isso, aprendi que o que me dá prazer não é, necessariamente, o assunto, mas as atividades e práticas diárias do jornalismo. Como muitas outras coisas da vida, o gosto por esses e outros temas levou certo tempo. Mas o trabalho nunca deixou de ser divertido – e agora entendo melhor o porquê.

No início do estágio, não compreendia como funcionam as operações de mercado, ou os diferentes níveis hierárquicos das empresas, mas já gostava de pesquisar. Em especial, percebi com o projeto da Ambev que encontrar respostas para dúvidas difíceis sobre as quais estou há muito tempo pesquisando dá um gostinho de vitória. Da mesma forma, achá-las rapidamente sabendo o caminho das pedras, o que demandou inúmeras tentativas e erros anteriores, também provoca esse sentimento. São as pequenas conquistas de cada dia que tornam o trabalho mais leve.

O tema também deixou de ser relevante nas leituras para os diferentes projetos. O prazer que encontro nos livros me acompanha desde que me lembro por gente. Com o tempo, percebi que sou capaz de ler sobre qualquer assunto com quase a mesma curiosidade que tenho sobre a literatura. A cada livro, matéria, artigo ou dissertação, descubro novas informações e curiosidades sobre os mais diferentes interesses, desde psicologia até filosofia, recrutamento e liderança. São temas que dificilmente teria lido por conta própria. 

As conversas com direito a café são sempre bem-vindas. É gostoso preparar pautas para entrevistas, entender quais são as dúvidas e respostas que preciso buscar com o entrevistado. Também são o momento de exercitar o que chamamos aqui no Atelier de “malemolência”: trabalhar com leveza e diversão, até porque tudo sempre dá certo no final. É o desafio de deixar a conversa prazerosa e fluida, tanto para mim quanto para o entrevistado.

Por fim, outra prática que me dá gosto de exercitar, seja qual for o assunto, é a escrita. É reunir várias informações, dados e números e transformá-los em um texto, contar uma história. Nessa tarefa, preciso exercitar de novo a malemolência, tornando a escrita leve e divertida quando possível, sempre adaptando a linguagem para o assunto do projeto. 

Mesmo com o prazer de fazer essas atividades todos os dias, há momentos em que alguns temas dão saudade. Principalmente no começo do estágio, tive um pouco de dificuldade para encontrar esse equilíbrio entre continuar me divertindo com as pesquisas, leituras e redações e matar a vontade de trabalhar com alguns assuntos do meu interesse. A resposta para esse dilema veio numa conversa com a equipe do Atelier há alguns anos, quando Marcela deu um conselho que levo até hoje. Não precisamos fazer tudo o que amamos ou temos interesse apenas no trabalho. Podemos suprir essas nossas necessidades no tempo livre.

Parece uma ideia simples, mas para mim, aquilo foi uma virada de chave. Realmente, não preciso pesquisar mais sobre eventos históricos ou obras de arte exclusivamente no escritório. Ou então, não devo estudar sobre literatura apenas no Atelier. Quem sabe um dia farei uma pós-graduação na área, ou escreverei um livro de ficção? São esses diferentes tipos de satisfação que me deixam cada vez mais interessada, tanto no trabalho quanto na vida afora. E sempre mantenho em mente que os mais diferentes temas podem acabar se tornando mais um projeto do Atelier.

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